Mostrar mensagens com a etiqueta Publicidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Publicidade. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Quanto vale o mercado publicitário português?




Apurar o valor que se investe em publicidade em Portugal é tarefa praticamente condenada ao fracasso. Seria necessário ter acesso aos dados de todos os investidores ou dos receptores desse investimento, o que é impossível.

Daí que se façam estudos parcelares, envolvendo, essencialmente, as empresas que mais investem. Outra técnica, utilizada por entidades como a Media Monitor, é fazer o apanhado dos anúncios nos diversos meios de comunicação, aplicar a tabela de publicidade oficial, fazer as contas e apresentar o valor obtido.

Os relatórios assim obtidos acabam por ser interessantes, sobretudo para se ter uma ideia sobre se o investimento publicitário está a aumentar ou a diminuir. Mas não nos dá informação real sobre os valores reais envolvidos, uma vez que os que apresentam são demasiado inflacionados por se basearem nos preços de tabela, sem ter em linha de conta os descontos que são feitos. Pegue-se neste, por exemplo, relativo à publicidade de apenas um trimestre, em que aparece um valor investido na ordem de mil milhões de euros, uma verba totalmente irrealista, como iremos ver mais à frente.

Para tentar chegar a um número mais real, optei por ir buscar dados aos relatórios e contas das principais empresas de comunicação social do país. Tendo em conta que a televisão é o meio que absorve a fatia maior da publicidade, fui verificar quais os valores que, por esta via, foram facturados pela SIC, TVI e RTP ao longo de um ano. Em relação às duas primeiras, os dados de 2014 já são públicos, pelo que não há problema. A RTP é que ainda não os publicou, pelo que optei por recorrer aos de 2013 e juntar-lhe um acréscimo de 5% (a TVI aumentou 11,6% e a SIC 7,2%). O quadro que obtemos é o seguinte:


Valor*
TVI   
96,1
SIC
94,6
RTP
19,5
Total
210,2
*milhões de euros


Tendo em conta que há canais por cabo que pertencem a outros grupos e que também têm publicidade, mas num volume bem mais reduzido, ao valor encontrado acrescento mais 10 por cento e chegamos à previsão de que, no total, o meio televisivo em Portugal vale à volta de 230 milhões de euros anuais em publicidade.

Agora, coloca-se outro problema. Como é que a partir daqui se pode chegar ao valor total, envolvendo todos os outros meios de comunicação? Consultando relatórios internacionais, verifico que os mais referenciados indicam que o bolo publicitário da televisão é de pouco mais de 40%. Para ter uma referência concreta, escolhi um estudo da Carat, o qual indica que, em 2014, a distribuição do bolo publicitário a nível global era o seguinte: Televisão: 42,7%; Digital: 21,7%; Jornais e revistas:21,2%; Outdoor: 7,1%; Rádio: 6,8% e Cinema: 0,5%. Com base nestas percentagens, e partindo do pressuposto que a televisão recebe cerca de 230 milhões em publicidade, chegamos à conclusão que o mercado publicitário em Portugal valerá quase 540 milhões de euros:


%
Valor*
TV
42,7
230
Digital
21,7
117
Jornais e revistas
21,2
114
Outdoor
7,1
38
Rádio
6,8
37
Cinema
0,5
3
Total

539
*milhões de euros


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Televisão continua a mandar no negócio da publicidade



Não é só em Portugal que os jornais e revistas atravessam uma crise sem fim à vista, com contínua perda de leitores e de publicidade. Este é um cenário global. De ano para ano aumentam as dificuldades da imprensa escrita, que tem sido o meio de comunicação mais afectado pela crise económica e pela ascensão das novas tecnologias.
Só para se ter uma ideia da queda brutal que tem tido, nos Estados Unidos, por exemplo, a facturação publicitária da imprensa baixou de 63,5 mil milhões de dólares em 2000 para 23 mil milhões em 2013 e voltou aos níveis de... 1950.
Com maior ou menor dimensão, esta é uma tendência que se repete em muitos outros países.
De acordo com o relatório “Digital Media Trendbook”, citando dados da Zenith Optimedia, a nível mundial, a fatia do bolo publicitário que, em 2013, cabia a jornais e revistas era de 24,8%, prevendo-se que ela baixe para 20,1% em 2016.

Apesar dos seus melhores tempos, a este nível, também já terem ficado pelo caminho, a televisão tem-se aguentado melhor. Continua a ser o meio de comunicação que ainda obtém o maior volume de investimento publicitário, uma situação que deverá manter-se nos tempos mais próximos. Prevê-se que em 2016 tenha uma queda muito ligeira, de menos de um ponto percentual, em comparação com 2013, passando de 40,1% para 39,2%.

A rádio continuará em queda, prevendo-se que a sua quota de mercado baixe de 6,9% para 6,3%. O outdoor mantém-se estável (7% para 6,8%), o mesmo acontecendo com o cinema (0,5% para 0,6%).

Internet em crescimento acelerado

A crescer está a internet que, segundo este estudo, deverá passar de 20,8% para 27,1%. Uma tendência de subida que é para continuar nos anos seguintes, devendo atingir em 2018 o volume de publicidade da televisão.
A maior contribuição vai ser dada pelos dispositivos móveis, em especial, os smartphones e tablets que se prevê venham a passar de uma quota de mercado de 2,7% em 2013 para 7,6% em 2016.
Uma tendência, no essencial, confirmada por dados de um estudo relativo ao mercado norte-americano, levado a cabo pela PricewaterhouseCoopers (PwC) para o Interactive Advertising Bureau (IAB). Até Setembro do ano passado, o volume de publicidade investido no online naquele país aumentou 15%. Relativamente ao primeiro semestre do ano, verifica-se que a fatia dos dispositivos móveis registou um acréscimo de 76%.

Este ano a previsão da consultora Magna Global é que, a nível mundial, o investimento publicitário no digital aumente cerca de 15% e atinja 163 milhões de dólares, o que significará uma parcela de 30% de todo o bolo publicitária (Magna Global).

São boas notícias para quem está ou quer avançar com um projecto na net sustentado na publicidade. Só que atreladas às boas vêm as más notícias. Também na internet se verifica o fenómeno da concentração, com as empresas mais poderosas a ficarem com a parte de leão das receitas. A eMarketer estima que só o Google, o Facebook e o Yahoo fiquem com quase 62% de todas as receitas publicitárias nos EUA, um cenário que não deve ser muito diferente do que se vive a nível geral. O estudo da PwC indica que mercado norte-americano as 10 maiores empresas do sector comam 71% do bolo publicitário.


Texto relacionado: