segunda-feira, 2 de março de 2015

Dona do Correio da Manhã aumenta os lucros


A Cofina - empresa proprietária de jornais como o Correio da Manhã e o Record, entre outros - aumentou as receitas de publicidade e os lucros em 2014. 

A publicidade passou de 34,8 para 36,7 milhões de euros, o que significa um crescimento de 5,4%. Um bom resultado que, no entanto, ficou essencialmente a dever-se ao acréscimo registado no Verão, devido ao Mundial de Futebol, conforme se pode ler na informação enviada pela empresa à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). 

Os lucros passaram de 4,6 milhões, em 2013, para quase 6,2 em 2014, o que representa um crescimento de 31,9%.


Mas nem tudo foi positivo, uma vez que as receitas provenientes da circulação (vendas) caiu 3,8%, o que significa que continua a tendência de quebra de vendas de jornais e revistas que se verifica já há vários anos.

A Cofina continua a não discriminar os resultados financeiros da sua televisão, a CMTV, lançada há quase dois anos. O grupo opta por englobar as suas receitas e despesas na contabilidade relativa ao sub-sector dos jornais. Apenas refere, nesta comunicação, que a televisão "teve um impacto negativo inferior a 1 milhão de euros".

Este é o segundo grupo de comunicação social a divulgar publicamente os seus resultados de 2014, depois da Media Capital ter, há dias, apresentado aumentos de 11% na publicidade e de 20% nos lucros. 


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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

TVI facturou mais 11 por cento em publicidade

A TVI facturou, no ano passado, 114,1 milhões de euros em publicidade, o que equivale a um aumento de 11 por cento em relação a 2013. Também na vertente da rádio, o ano foi muito positivo para o grupo dono desta televisão, a Media Capital, uma vez que conseguiu arrecadar mais 9%, tendo chegado a um total de 14,7 milhões de euros.

De acordo com o relatório e contas da empresa de 2014, a Media Capital obteve receitas que totalizaram 147,2 milhões de euros (+1%), tendo o lucro chegado aos 16,4 milhões de euros (+20%).


Para estes resultados positivos muito contribuiu o facto dos seus principais canais terem sido líderes de audiências. A TVI conquistou uma quota de audiência de 23,5%, sendo líder pelo 10º ano consecutivo. Também na rádio, o grupo conseguiu o 1º lugar no pódio, através da Comercial, com um share de 22,7%.


O ano terá ficado marcado por mais uma redução do número de trabalhadores. Embora não se refira no documento o número de funcionários que a Media Capital tem, na rubrica relativa aos gastos com o pessoal pode constatar-se que houve uma redução de 4,6 milhões de euros, o que faz supor que o grupo diminuiu de forma relevante a sua força de trabalho. Esta é uma tendência que já vem desde há cerca de sete anos. Entre 2007 e 2013, a Media Capital havia eliminado 125 trabalhadores da sua folha de pagamentos, poupando com isso quase três milhões de euros. Ao longo deste período, os quatro maiores grupos de comunicação do país prescindiram dos serviços de 1032 profissionais e gastaram menos 46 milhões com o seu pessoal.

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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Porta dos Fundos quer transformar-se numa multinacional do riso


Um dia depois de ter sido colocado no YouTube o vídeo da Porta dos Fundos dedicado ao Carnaval já tinha 920 mil visualizações. Nada de extraordinário no mundo do mais popular grupo de comediantes brasileiros. O vídeo anterior, ‘Tamanho’, com apenas três dias de vida, já contabilizava 1,8 milhões espreitadelas. Se as coisas correrem de feição, pode acontecer que cheguem aos 18,2 milhões de visualizações, o máximo conseguido, até agora, por um vídeo da Porta dos Fundos. O seu canal conta com 9,6 milhões de subscritores, e, no total, os 330 vídeos colocados até 15 de Fevereiro totalizavam quase 1,5 mil milhões de visualizações!

Estes são alguns dados que revelam bem a popularidade da Porta dos Fundos no YouTube, a qual fez despertar o interesse da televisão, através do canal FOX, que lhe deu antena para uma série semanal, primeiro, no Brasil, e agora também em Portugal. Nesta primeira fase, os conteúdos são repescados dos vídeos produzidos para o YouTube, mas a segunda temporada já terá material original.

O que é irónico, uma vez que a Porta dos Fundos nasceu por os seus fundadores serem muito críticos do humor que se faz na televisão e se queixarem de falta de liberdade criativa por parte dos big bosses do pequeno écran. Daí terem, em 2012, lançado o seu canal no YouTube, com rábulas de pouco mais de um minuto, recheadas de um humor corrosivo, absurdo e utilizando o tipo de linguagem que o brasileiro comum usa no dia-a-dia e onde não faltam os palavrões. Outro dos trunfos é a produção altamente profissional dos sketches, feita com uma qualidade técnica pouco habitual no YouTube e muito mais aproximada do que se faz na televisão.



Vídeos populares e polémicos

O sucesso foi rápido e avassalador, levando a que o canal da Porta dos Fundos esteja em 23º lugar nalista dos mais populares do YouTube, a nível mundial 

Mas nem tudo tem sido fácil e pacífico no seu percurso. A comunidade policial do Brasil não apreciou o vídeo ‘Dura’, em que os humoristas fazem uma crítica à forma como muitas vezes os polícias abordam os cidadãos. Aqui, vira-se o feitiço contra o feiticeiro e são dois civis que, sem motivo, abordam, revistam e maltratam polícias. A rábula valeu ameaças a Fábio Porchat e companhia.

Outro vídeo que deu que falar foi este, produzido em plena campanha eleitoral brasileira. Nele, um candidato a deputado faz um refém e chantageia o eleitorado, anunciando que só o liberta se for eleito. Mas a frase da polémica surge no fim, ao exigir, também, o voto em Anthony Garotinho (um político muito polémico) na corrida para governador. O vídeo acabou por ser retirado por ordem do Tribunal, que entendeu ser uma tentativa não legítima de influenciar a votação. Mas voltou ao YouTube assim que Garotinho foi derrotado logo na primeira volta. O mesmo percurso aconteceu com o vídeo ‘Zona Eleitoral’.

À conquista do mundo

A Porta dos Fundos foi fundada por Fábio Porchat, António Pedro Tabet, Gregório Duvivier, Ian SBT e João Vicente de Castro. Uma equipa que foi crescendo e que, nesta altura, é constituída por cerca de quatro dezenas de pessoas.

Um dos últimos reforços de peso é a produtora argentina Juliana Algañaraz, responsável pela Endemol Brasil e que, em meados do ano passado, foi contratada para CEO da Porta dos Fundos. Essa contratação marcou o arranque de uma nova fase no percurso do grupo, com o objectivo de rentabilizar a sério a fama conseguida, através de uma gestão profissional, apesar de, nesta altura, e segundo este artigo da Exame brasileira, já facturar cerca de 30 milhões de reais anuais (9,2 milhões de euros). O primeiro passo da estratégia de diversificação foi a entrada na televisão, mas não vai ficar por aí. A Porta vai atacar também o mundo do cinema, com dois filmes por ano, investir ainda mais na televisão e no merchandising e gerir as carreiras de todos os seus humoristas.

Mas a base deste colectivo criativo vai continuar a ser o YouTube, onde pretende lançar mais canais e rentabilizá-los melhor, sobretudo, através de contratos comerciais com empresas que paguem para que os seus produtos sejam mostrados nos vídeos para uma audiência de milhões de pessoas que falem o idioma português, mas nem só, pois alguns dos sketches já têm legendas em inglês, com o óbvio objectivo de chegar a um auditório ainda maior. Na prática, a Porta dos Fundos parece querer transformar-se numa autêntica multinacional do riso.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Televisão continua a mandar no negócio da publicidade



Não é só em Portugal que os jornais e revistas atravessam uma crise sem fim à vista, com contínua perda de leitores e de publicidade. Este é um cenário global. De ano para ano aumentam as dificuldades da imprensa escrita, que tem sido o meio de comunicação mais afectado pela crise económica e pela ascensão das novas tecnologias.
Só para se ter uma ideia da queda brutal que tem tido, nos Estados Unidos, por exemplo, a facturação publicitária da imprensa baixou de 63,5 mil milhões de dólares em 2000 para 23 mil milhões em 2013 e voltou aos níveis de... 1950.
Com maior ou menor dimensão, esta é uma tendência que se repete em muitos outros países.
De acordo com o relatório “Digital Media Trendbook”, citando dados da Zenith Optimedia, a nível mundial, a fatia do bolo publicitário que, em 2013, cabia a jornais e revistas era de 24,8%, prevendo-se que ela baixe para 20,1% em 2016.

Apesar dos seus melhores tempos, a este nível, também já terem ficado pelo caminho, a televisão tem-se aguentado melhor. Continua a ser o meio de comunicação que ainda obtém o maior volume de investimento publicitário, uma situação que deverá manter-se nos tempos mais próximos. Prevê-se que em 2016 tenha uma queda muito ligeira, de menos de um ponto percentual, em comparação com 2013, passando de 40,1% para 39,2%.

A rádio continuará em queda, prevendo-se que a sua quota de mercado baixe de 6,9% para 6,3%. O outdoor mantém-se estável (7% para 6,8%), o mesmo acontecendo com o cinema (0,5% para 0,6%).

Internet em crescimento acelerado

A crescer está a internet que, segundo este estudo, deverá passar de 20,8% para 27,1%. Uma tendência de subida que é para continuar nos anos seguintes, devendo atingir em 2018 o volume de publicidade da televisão.
A maior contribuição vai ser dada pelos dispositivos móveis, em especial, os smartphones e tablets que se prevê venham a passar de uma quota de mercado de 2,7% em 2013 para 7,6% em 2016.
Uma tendência, no essencial, confirmada por dados de um estudo relativo ao mercado norte-americano, levado a cabo pela PricewaterhouseCoopers (PwC) para o Interactive Advertising Bureau (IAB). Até Setembro do ano passado, o volume de publicidade investido no online naquele país aumentou 15%. Relativamente ao primeiro semestre do ano, verifica-se que a fatia dos dispositivos móveis registou um acréscimo de 76%.

Este ano a previsão da consultora Magna Global é que, a nível mundial, o investimento publicitário no digital aumente cerca de 15% e atinja 163 milhões de dólares, o que significará uma parcela de 30% de todo o bolo publicitária (Magna Global).

São boas notícias para quem está ou quer avançar com um projecto na net sustentado na publicidade. Só que atreladas às boas vêm as más notícias. Também na internet se verifica o fenómeno da concentração, com as empresas mais poderosas a ficarem com a parte de leão das receitas. A eMarketer estima que só o Google, o Facebook e o Yahoo fiquem com quase 62% de todas as receitas publicitárias nos EUA, um cenário que não deve ser muito diferente do que se vive a nível geral. O estudo da PwC indica que mercado norte-americano as 10 maiores empresas do sector comam 71% do bolo publicitário.


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domingo, 11 de janeiro de 2015

Investimento nos podcasts pode chegar aos 100 milhões em 2015




2014 foi um ano de ouro para os podcasts (programas de rádio produzidos e distribuídos na NET). Em boa medida, isso é consequência do enorme sucesso de "Serial", uma investigação jornalística sobre um homicídio, apresentado em 12 episódios.
Mas não só. "StartUpPodcast" foi outro projecto de sucesso que pode ter feito com que os investidores de risco comecem a apostar a sério neste formato. Destaque ainda para "99%Invisible" que, através do sistema de crowdfunding, pediu aos seus ouvintes 250 mil dólares e acabou por conseguir mais de 600 mil, o que beneficiará não só aquele como seis outros programas reunidos no projecto Radiotopia.

Foi há cerca de uma década que se começou a ouvir falar em podcasts. O percurso, ao longo destes anos, não foi fácil, houve avanços e recuos, mas deu um enorme salto em frente nos últimos anos, tirando partido da popularização dos smartphones, que tornam bem mais simples e prático descarregar e ouvir podcasts.

Uma das vantagens desta forma de comunicação é poder ser consumida enquanto os ouvintes realizam outras tarefas, não necessitando de uma atenção exclusiva da sua parte.



Carros ligados à net vão aumentar o número de ouvintes
Os Estados Unidos são o país onde os podcasts têm maior popularidade. Um estudo da Edison Research indica que há cerca de 39 milhões de pessoas que ouvem, pelo menos, um podcast por mês. Outro dado interessante é que 20% dos ouvintes consomem seis ou mais programas por semana.

Em todo o mundo, de acordo com este artigo do Washington Post, haverá cerca de 75 milhões de ouvintes de podcasts e a tendência é de aumento.
Isso ficará a dever-se ao facto de haver cada vez mais gente com smartphone nas mãos e por muitos dos carros que saem das fábricas terem ligação à internet, uma situação que se vai banalizar e tornar norma nos próximos anos. Tendo em conta que é dentro de carros que mais se consome rádio, se passar a ser tão fácil ouvir sons através da internet como sintonizar uma frequência terrestre, isso aumentará significativamente o consumo de podcasts.

Daí que não seja de estranhar que já haja quem esteja a posicionar-se para tirar o máximo partido possível desta evolução.
Por exemplo, Alex Bloomberg, do "StartUp Podcast", pretendia que sua recém-constituída empresa, “Gimlet Media”, lançasse três programas até ao final do ano, mas ao deparar-se com o potencial de crescimento do mercado, já decidiu antecipar o lançamento de outros podcasts.

A revista "Slate" tem, na sua versão digital, vindo a apostar nesta área, uma aposta que pretende reforçar. Conta com cerca de duas dezenas de programas que têm cerca de seis milhões de downloads mensais, segundo o seu editor, Andy Bowers, e a palavra de ordem é aumentar a oferta ao longo deste ano.
Mas o maior player do sector é a empresa "PodcastOne" que já disponibiliza 200 programas, com 120 milhões de downloads/mês, e tem em carteira outros 200 projectos.


Atrair as grandes empresas para o sector
Portanto, há ouvintes para sustentar a indústria, mas haverá também dinheiro? Parece que sim.
Nos Estados Unidos, há a tradição de serem os próprios radialistas a darem voz à publicidade, de uma forma que quase se confunde com o programa. Isso agrada às empresas, pois entendem que esta forma de passar a mensagem é bem mais eficaz do que o tradicional anúncio super-produzido, que as pessoas se habituaram a ignorar. Daí que estejam dispostos a pagar mais para que a menção à sua empresa mais do que anúncio pareça ser a sugestão de um amigo (o radialista) no qual os ouvintes acreditam e confiam.

É quase impossível dizer com rigor qual o total da verba envolvida mas há alguns dados parcelares que são significativos.
Num dos episódios de "StartUp Podcast" ficámos a saber que a empresa patrocinadora pagava seis mil dólares por programa.
A Mail Chimps, uma das empresas que mais apostam em podcasts, terá pago entre 25 e 40 dólares por cada mil downloads de "Serial". Tendo em conta que terão sido feitos entre 25 a 30 milhões de downloads - e embora alguns dos primeiros episódios não tenham contado com anúncios - estamos a falar de verbas significativas. E aos valores da publicidade, há a acrescentar o financiamento obtido junto dos seus ouvintes.

Este investimento parece ter um retorno interessante para as empresas. Um inquérito levado a cabo pela empresa "Midroll" junto de 300 mil ouvintes indica que 63% comparam pelo menos um produto ou serviço promovido num dos podcasts que ouviram. Esta empresa conta facturar um milhão de dólares anuais com quatro dos seus podcasts mais populares.
Norm Pattiz, o big-boss do "PodcastOne", estima que o sector vá gerar cerca de 100 milhões de dólares este ano. A sua estratégia é apresentar uma enorme oferta de podcasts, de forma a atrair o interesse das grandes empresas, que ainda pensam não ter o sector peso e dimensão suficientes para nele investirem.

Portugal está out
Em Portugal esta vertente de comunicação é quase inexistente, não seguindo, nem de perto nem de longe, a febre que se vive lá por fora, em especial nos Estados Unidos ou mesmo na Grã-Bretanha, através da BBC, que tem uma variada oferta de podcasts.
Isso por ter a ver com a pobreza do mercado publicitário nacional, mas também com a aparente falta de interesse dos potenciais consumidores, à qual não deve ser alheia a falta de investimento das rádios em programas de autor. Mas mesmo que haja algum interesse da parte dos portugueses em experimentarem ouvir podcasts na sua língua, têm uma tarefa complicada pela frente. Isto porque se revela difícil ou mesmo impossível, nalguns casos, descarregar para um smartphone programas deste género dos sites das principais rádios nacionais.